segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Trecho de O Guerreiro das Estrelas - A Evolução

Trecho do Capítulo VII - Os Três Melhores de Deus:


            Solum mitescere – uma voz suave e masculina soou em algum lugar que ele não enxergou. – Só procure se acalmar! – repetiu em português.
Estava dentro de um apartamento totalmente branco, tanto em pintura como em móveis. Levantou-se do sofá. Em um espelho logo na parede quando se levantou ele viu suas roupas intactas. Sua blusa vermelha não tinha rasgos e a toca estava abaixada. Seus óculos, em uma escrivaninha abaixo do espelho. Ben o pegou e verificou se era o seu mesmo.
A fechadura na porta ao seu lado direito se mexeu sozinha. Alguém rodara uma chave do outro lado. O coração de Ben bateu mais forte. Deixou os óculos na escrivaninha mais uma vez e andou a passos mansos até lá. Quando ela se abriu para dentro, Ben ficou escondido até que pudesse ver quem adentrava no apartamento. Três homens vestidos inteiramente de branco passaram em fila indiana e quando o último voltou para fechar a porta, não teve chance. Ben o atacou com um soco, mas foi pego de supetão por algo inesperado que o deixou sem reação. O último dos homens segurou com facilidade a mão dele, mas Ben ainda forçou como se fosse usar ainda mais de sua força, mas nada pôde atingir o homem.
– Dissemos para que você se acalmasse – disse o primeiro com a mesma voz da que ouvira antes. Ele tinha cabelo curto e pouca barba e os outros também, porém suas feições eram diferentes. Era como se fossem simples humanos, mas a calma que passavam era de se estranhar. – Seus poderes não servem aqui, jovem guerreiro.
– Quem são vocês? – perguntou ainda desconfiado, mas retirando a mão ameaçadora da quase briga. – Como vim parar aqui?
– Valtier duvidou da forma como você é protegido por anjos – disse o primeiro.
– Vocês são anjos? – indagou incrédulo.
– Estamos aqui para um debate bem simples – disse o que acabara de fechar a porta ao seu lado.
– Um jogo de perguntas e respostas em que saberemos se está mentindo ou não – agora quem dissera fora o anjo do meio.
Os três se locomoveram até o meio da sala e sentaram cada um em um dos três sofás ao redor, sinalizando o centro para Ben. Ele parou e observou os outros se sentando, enquanto ficava de pé.
– Benjamin, nós sabemos o que tem feito para tentar ajudar a humanidade – disse o primeiro que sentara no sofá do meio. – Você tentou impedir Apocalipse. Tentou impedir a represa de tomar toda uma cidade. E, nessas duas vezes, você morreu.
Quantas mais vidas então ele tinha? Será que iria voltar novamente? Mas Ben era tão humano, mesmo obtendo todos aqueles poderes. Era impossível alguém voltar da terra dos mortos uma vez, o que dirá duas.
– O que aconteceu com a cidade? – perguntou não querendo se preocupar com o fato de ter vidas de gato.
– Ficou submersa, mas foram poucas as vítimas. Foram poupadas muitas crianças e adolescentes.
– Diz isso como se os responsáveis fossem vocês. O que aqueles Zorkinstinianos estavam fazendo lá? O que eles querem?
– Nós viemos para fazer as perguntas e não você! – deu voz de autoridade um segundo, ao lado esquerdo do primeiro anjo.
– Mais calma, Rafael.
– Perdoe-me, Miguel, mas temos que saber logo das coisas.
– Rafael? Miguel? – Ben estava atônito. Não era aquela a imagem real daqueles anjos. Galael em sua forma natural era mais belo que os três. – Não me diga que você é Gabriel? – apontou para o terceiro ao lado direito de Miguel. Gabriel, o único que tinha cabelos loiros, mas curtos assim como os outros, meneou positivamente a cabeça.
Ben de pé olhou para os três com uma expressão de espanto. Aquelas não eram as formas reais dos anjos. Eles tinham feito algo para aparecer pra ele ali.
– Receptáculos? – deduziu, e a dedução fora correta, pois eles afirmaram. Então, a expressão de Ben voltou ao normal. – Então eu não morri coisa alguma! Vocês me tiraram de lá e me trouxeram até aqui.
Os anjos se entreolharam.
– Sim, Ben, você não morreu, mas iria se não fosse por alguns milésimos de diferença – disse, enfim, Gabriel.
– Ouvi dizer que são os três melhores de Deus. O que querem saber de mim?
Miguel se levantou e ficou frente a frente para o rapaz.
– Sabemos que Galael está ajudando você. Onde ele está?
Ben olhou o único anjo que se levantou. Depois olhou para os demais. Algum tipo de preocupação rondava pelo ar.
– Não está comigo.
– Não temos tempo para jogos, Benjamin. Galael foi expulso do reino dos céus por desobedecer a nossa lei angelical. Ela consiste em todo e qualquer anjo não interferir na vida de um humano.
– Ele não podia ser expulso – interpôs Ben. – Ele me avisou sobre os acontecimentos. Ele só queria salvar as pessoas e arrumou uma forma para tal.
– Salvar as pessoas? – Gabriel agora quem se levantara. – Não se pode salvá-las de seu destino. Mesmo você tendo esses poderes concedidos pelo ser de Zorkinst, não quer dizer que você será um Messias. Só existiu um. Então pare de achar que você pode ser igual.
– Eu não acho isso.
– Veja o que aconteceu por ele ter te avisado. O destino mudou e pra pior – continuou Miguel mantendo a calma que o querido anjo de Deus, Gabriel, não conseguia. – Apocalipse não chegou perto de trazer o fim pra humanidade, mas você e Galael trouxeram quem pode.
– Karkorich?
Os anjos mais uma vez olharam uns para os outros. Então, Rafael se prontificou a levantar e disse:
– Ben, nós só queremos saber onde Galael está. Isso pode acabar, e aí sim, você poderá novamente viver em paz com sua mãe, Cínthia e John – Rafael e os outros perceberam o modo como Ben ficou. Ele pensou de cabeça baixa. – Você sabe o que destino guarda pra você e ela? Você e Cínthia?
Ben levantou a cabeça e não estava mais prestando atenção nos anjos. A sua mente projetava imagens daquela bela garçonete. Voltou os pensamentos para o apartamento branco. Os três de pé a sua frente, esperavam a resposta. Entretanto, por que eles queriam tanto saber de Galael? Como ele lhe disse, tinha sido expulso do paraíso por lhe ajudar e não deixaria de fazer isso. Entregar Galael seria desleal.
– Você nunca teve tanta fé na nossa existência – argumentou Gabriel. – Já duvidou muito se existíamos e ainda duvida de Deus. O que um mero anjo que foi expulso dos céus te faz pensar diferente?
Ben encarou Gabriel como se encarasse um dos receptáculos da raça de Apocalipse.
– Eu mudei meus pensamentos e não foi por causa dele. Digo que Galael teve influência nisso, mas não tanto quanto acham – depois se virou para Rafael, passando o olhar por Miguel. – Eu não vou dizer onde ele está, porque, primeiro, eu não sei seu paradeiro. Ele saiu sem mais nem menos quando me alertou sobre a represa e eu pensei que ele estivesse por perto quando ela desabou na cidade, mas não estava e eu não sei o porquê. E segundo: mesmo se eu soubesse, eu não diria a vocês.
– Você acha que conhece de tudo, não é? Vou te mostrar o que você desconhece – Gabriel andou de encontro com Ben, mas Miguel no meio interferiu colocando a mão no peito do irmão. Ben permaneceu imóvel, mas sentiu medo, pois não sabia até quanto ia o poder de um anjo.
– É o bastante Gabriel!
O anjo recuou com os olhares fixos em Ben e ele sentiu seu coração desacelerar.
– Só queremos ajudar, Benjamin.
– É um tipo de ajuda que eu recuso. Podem fazer o favor de me levar de volta pra casa? – disse secamente após recuperar o fôlego da pressão sofrida.
– Ben – Miguel se aproximou dele e o tocou no braço –, você está destinado a fazer grandes coisas, mas isso terá um preço alto também. Tome – ele tirou um colar de seu pescoço por baixo da camiseta branca. A corrente era de bronze e o colar tinha a figura de uma cruz marrom de alguns centímetros. Na cruz, as palavras INRI. – Toque nela quando achar a hora certa e peça de coração.
Miguel colocou o colar no pescoço de Ben. Em cada movimento que o anjo fazia com o colar, Ben observava aquela cruz com tamanha atenção que nem piscava direito. Ao fechá-la, Miguel se afastou. Ben percebeu a expressão de desconforto de Gabriel ao ver o colar do irmão sendo entregue a ele.
– Você ainda duvidará de Galael. Estaremos aqui quando precisar.
Agora Ben não sabia o que dizer. Além de Gabriel não ir com sua cara, parecia ser um vingador que queria perseguir Galael a qualquer custo. Já Miguel se mostrou paciente e Rafael também, ambos com a intenção de chegar a Galael.
E por que iria ainda duvidar do seu companheiro de treinos? A verdade era que Ben podia ter morrido na represa e se não fosse pela água, seria pelos Zorkinstinianos.
Quando piscou os olhos, uma luz branca emanou dos três anjos e se propagou por todo o recinto. A luz demorou a ir embora de sua íris e ao olhar ao seu redor, viu um telescópio em direção a janela aberta, uma mesa com um computador, livros na cabeceira de uma cama e, acima do travesseiro, a foto de sua mãe, seu pai e ele bem pequeno. Sorriu ao ver a foto que não via desde a última vez em que o estranho homem de nome Leandro voltou no tempo.
Ben estava em casa e ainda por cima, em seu quarto. Era como não estar ali por muito tempo. 


E dia 29/03, na Saraiva do Shopping Center Norte, lançamento do livro. Não percam!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Lançamento na Livraria Saraiva do Center Norte

Pessoal, lhes convido para o lançamento do meu livro, na Saraiva do Center Norte, no dia 29/03 a partir das 19:30.

Espero por todos !!!